Sábado, 07 de Dezembro de 2019
Coluna Falando de Economia - Douglas Pivatto

Juros baixos e a educação financeira (I)

Publicada em 05/11/19 às 23:58h - 70 visualizações

por Douglas Pivatto


Compartilhe
   

Link da Notícia:

No dia 30/10/2019, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu por baixar a taxa Selic, a taxa básica de juros da economia, em meio ponto percentual, de 5,5% para 5%. Tratou-se do terceiro corte consecutivo na taxa básica de juros do Brasil neste ano, fato que despertou a atenção no país inteiro, comemorado Brasil afora.

O SELIC, Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, é um sistema administrado pelo Banco Central, onde ocorre compras e vendas de títulos públicos federais. Inicialmente, a taxa Selic é apurada em operações com duração de um dia, entre as instituições financeiras que utilizam títulos do governo federal como garantia. É obtida pelo cálculo da taxa média ponderada dos juros praticados pelas instituições financeiras. O Banco Central opera no mercado de títulos públicos para que a taxa esteja de acordo com a meta definida em reunião do Copom (os atuais 5%). 

Assim como outros mecanismos, a taxa de juros é um dos diversos instrumentos de política monetária que o Banco Central possui para conduzir, estabilizar a economia e mantê-la equilibrada, para que o país possa ter uma trajetória de crescimento sustentado. Além disso, a Selic auxilia a nortear todo o sistema financeiro do Brasil, pois ao influenciar as instituições financeiras em suas tomadas de decisão, também interfere no relacionamento com os clientes.

A taxa de juros é fator fundamental para uma instituição financeira emprestar dinheiro ao seu cliente. Mas aí vem a pergunta: como que a Selic está em 5% ao ano, se meu empréstimo é de 6% ao mês? Realmente é uma boa pergunta. A taxa Selic é um dos fatores que determina a taxa de captação de recursos das instituições financeiras, principalmente os bancos. Afinal, o banco é um intermediário: de um lado, tem gente disposta a guardar, aplicar e investir dinheiro, e do outro lado, gente disposta a tomar dinheiro emprestado, seja para viajar, abrir um negócio, comprar um carro. O banco é um facilitador desse processo, e sendo esse seu negócio, cobra por isso.

Assim, a diferença entre a taxa de aplicação e a taxa de captação é o spread bancário. Com a queda da Selic, a taxa de captação diminui. Resta diminuir a taxa de aplicação, não é mesmo? Sim, mas não é algo que vai ocorrer de um dia para o outro. Como em muitos setores no Brasil, o setor bancário é concentrado, com poucos participantes no jogo (refiro-me principalmente aos bancos comerciais, não vou aqui entrar no mérito de bancos digitais), o que costuma fazer com que o spread suba. No entanto, deve-se observar que há diversos fatores que podem determinar os juros cobrados ao se adquirir um empréstimo, e que podem variar de pessoa para pessoa, pois envolve relacionamento da pessoa com a instituição, perfil do cliente, eventual risco de inadimplência, dentre outros. 

Assim, com a queda da Selic a tendência é sim que os bancos emprestem dinheiro a taxas mais baratas aos consumidores e às empresas. Aos consumidores, para que possam adquirir mais bens, satisfazer as suas necessidades. Às empresas, para que possam investir mais, contratar mais pessoal, satisfazer as necessidades dos consumidores. Tem-se assim um ciclo virtuoso na economia, pois o crédito se torna mais barato, além de as pessoas ficarem mais confiantes na hora de gastar.

Como dito antes, a Selic se encontra em 5%. No entanto, nem sempre foi assim. Aliás, muito pelo contrário. Para fins de comparação, em novembro de 2016, a Selic estava em 14%, ou seja, 9 pontos percentuais mais alta que o patamar atual. Indo mais longe, em novembro de 2005 a meta era 19%, em julho de 2003, 26%. Em março de 1999 chegou a exorbitantes 45%. Para aplicações de renda fixa, era um paraíso. Era possível investir em aplicações que dobravam o valor inicial em poucos anos. Evidente que diversos fatores da economia brasileira e internacional contribuíram para que a taxa chegasse em tais situações.
Não é difícil dizer que o que se deu na última semana, e que vem sido trabalhado ao longo dos últimos anos, foi uma bela de uma evolução. Por muito tempo, o Brasil esteve em primeiro lugar no ranking mundial dos juros reais (juro real é a taxa de juro nominal, descontada a inflação), bem a frente dos demais países. Hoje o quadro é diferente. Com a taxa Selic em níveis civilizados e com a inflação sob controle – 2,89% é o acumulado do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), em 11/10/2019 –, estando inclusive abaixo da meta estipulada pelo Banco Central, que atualmente é de 4,25%, o juro real no Brasil atualmente está próximo de zero. Algo que era pouco provável em um passado recente está próximo de acontecer no Brasil, que são os juros reais negativos.

Além do mais, o mercado financeiro espera que na última reunião de 2019, marcada para o dia 10/12/2019, ocorra um novo corte de 0,5 ponto percentual, reduzindo a Selic assim a 4,5%. Evidentemente, nada está se afirmando aqui, pois não há como prever o futuro. O que ocorre são apenas leituras de sinais.

Na próxima coluna, trataremos sobre aplicações financeiras, tanto renda fixa quanto renda variável, e qual o impacto da Selic nelas, além da importância de se ter uma educação financeira adequada, pois a taxa Selic é um ponto importantíssimo na economia brasileira.



ATENÇÃO:Os comentários postados abaixo representam a opinião do leitor e não necessariamente do nosso site. Toda responsabilidade das mensagens é do autor da postagem.

Deixe seu comentário!

Nome
Email
Comentário


Insira os caracteres no campo abaixo:








Nosso Whatsapp

 (53)9 8133-8474

Visitas: 60188
Usuários Online: 51
Copyright (c) 2019 - Rádio Horizonte - Rio Grande e São José do Norte - Rádio Horizonte 2019 - Todos os direitos reservados