Sábado, 07 de Dezembro de 2019
Coluna Falando de Economia - Douglas Pivatto

Juros baixos e a educação financeira (II)

Publicada em 14/11/19 às 08:23h - 83 visualizações

por Douglas Pivatto


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Conforme dito na coluna anterior, vamos continuar tratando sobre Selic e aplicações financeiras. Assim, vamos recapitular que a taxa Selic foi reduzida de 5,5% para 5%. Aqui, novamente se põe diante de nossos olhos um cenário desafiador para o investidor brasileiro, que outrora estava acostumado com a zona de conforto da renda fixa.

Vamos começar sobre a aplicação mais popular no Brasil: a poupança. A partir do dia 04/05/2012, a poupança passou por uma mudança em sua regra de remuneração, passando dos 0,5% ao mês mais a taxa referencial (TR) para essa mesma remuneração se a Selic estiver acima de 8,5% ao ano e, se a Selic estiver abaixo de 8,5% ao ano, 70% da Selic mais a TR. Desde que essa regra foi imposta, a Selic esteve abaixo de 8,5% entre agosto de 2012 e julho de 2013, e desde outubro de 2017 em diante. Para se ter uma ideia, o rendimento da poupança era cerca de 6% ao ano. Atualmente está rendendo 3,5% ao ano. Considerando a inflação acumulada de 12 meses, até setembro/2019, que está em 2,89%, deixar o dinheiro na poupança é deixar de ter ganho real. A consideração é feita no cenário atual, no entanto na maior parte do tempo, com a inflação mais alta, não é exagero dizer que quem deixou apenas na poupança deixou de ter seu dinheiro melhor remunerado.

Indo para o universo dos investimentos, com a queda da taxa Selic aplicações de renda fixa tendem a ser menos atrativas, dependendo da modalidade de contrato. Porém, é possível encontrar boas alternativas no mercado para quem tem o perfil mais conservador, que prefere se expor menos ao risco. Assim, quem pretende se aventurar na renda fixa pode optar por aplicações pré-fixadas, que são aquelas que o investidor já sabe o quanto vai receber ao final do período. Esse tipo de aplicação é interessante num cenário de queda de juros, pois, aplicando hoje, o investidor já sabe quanto vai receber ao final do período.

Quanto a outras aplicações de renda fixa, temos o Tesouro Direto, que é a plataforma do Governo Federal onde são negociados títulos públicos, que podem ser pré ou pós-fixados, de acordo com o objetivo do investidor ao longo do tempo. Outro tipo de aplicação em renda fixa é o Certificado de Depósito Bancário (CDB), que é uma espécie de título pré ou pós-fixado, emitido pelos bancos para captar dinheiro do mercado; na prática é um empréstimo que o cliente faz ao banco. Essas são as mais conhecidas, no entanto há outras, como a Letra de Crédito Imobiliário (LCI), a Letra de Crédito Agrícola (LCA), a Letra de Câmbio e os Certificados Recebíveis de Agronegócio (CRA). Dentre as modalidades expostas, não é adequado dizer quais são melhores e quais são piores, pois dependem de diversos fatores, como a disposição do investidor em correr riscos, quem está emitindo o título, além dos impostos que devem ser levados em conta na hora da aplicação.

Por outro lado, se na renda fixa o cenário tende a ficar menos atrativo, na renda variável a tendência é o contrário. Como a taxa Selic está num patamar baixo, quem deseja rentabilidade acaba por deslocar-se da renda fixa para a variável, investindo em ações ou fundos imobiliários, por exemplo, aplicações essas que o investidor pode ganhar dinheiro na valorização dos ativos, além do pagamento de dividendos periódicos. Um investidor mais conservador dificilmente vai querer expor suas aplicações a muitos riscos, diferentemente de um investidor moderado ou arrojado (também chamado de agressivo), que está disposto a arriscar mais do seu patrimônio para obter maior rentabilidade ao longo do tempo.

Na coluna desta semana procuramos exemplificar como simplesmente deixar o dinheiro aplicado na poupança pode não ser benéfico ao investidor, pois há diversas aplicações disponíveis no mercado, que podem remunerá-lo mais. Uma observação importante a fazer é que não existe aplicação sem riscos. Outra observação é que aqui não se está fazendo nenhuma recomendação de compra de ativos, apenas exemplificações de opções existentes no mercado. Para investir de forma segura, o investidor deve procurar um profissional do mercado financeiro, que poderá lhe acompanhar nos primeiros passos para a construção do seu patrimônio e lhe orientar quais as opções mais adequadas ao seu perfil.




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